Então nunca falei sobre o assunto aqui no blog, não via necessidade disso, mas é chegada a hora da libertação a hora de gritar alto que nada nem ninguém têm o direito de me fazer sentir-me diminuído ou envergonhado por causa de minhas preferências.
Lembro como se fosse hoje o dia que minha mãe descobriu [na verdade pra mim ela apenas constatou o que já sabia, mas não acreditava ou aceitava] que tinha um filho diferente. No dia 28 de Dezembro de 2009 minha vida começou a ficar muito mais fácil. Eu sempre falava que só teria coragem de namorar alguém quando tivesse coragem de expor a minha família minhas opções e sempre me senti muito reprimido acuado com medo de magoar minha família com a verdade vinda à tona de maneira errada, até que no dia 09 de Dezembro de 2009 entrei em um relacionamento sério e me senti péssimo por descumprir uma regra que eu mesmo tinha estipulado de só namorar sério quando fala-se sobre o assunto com minha família.
Foram 19 dias de alegria e tortura (vixe), eu me sentia traindo a minha família, a meus pais que tinham tanto amor por mim, mas eu não podia deixar ir embora a felicidade. [/ou quase ela, pois esse relacionamento foi de longe a pior decepção que já tive em minha vida, assunto pra outra postagem ¬¬], eu tinha que agarra isso com todas as forças e foi o que fiz. Porem eu não contava com uma situação, minha mãe sempre foi muito curiosa e cuidadosa, olhava sempre minhas mochilas, cadernos, roupas a procura de qualquer coisa ilícita, drogas, bebidas, fotos de mulher pelada (oi?), enfim, e não foi diferente dessa vez. Vocês já vão entender porque falei tudo isso!
Moro fora de casa desde os 18 anos, sempre em época de natal, fim de ano, datas comemorativas em geral procuro passar com meus pais, em Dezembro de 2009 fui passar o fim de ano em casa, estava no inicio do relacionamento na época e tinha combinado com meu relacionamento que iríamos passar o réveillon juntos em uma praia perto da cidade onde meus pais moram, até ai tudo beleza sempre recebi meus amigos em casa sem nenhum embase, e séria apenas mais um amigo que me visitaria. Falei com minha mãe ela disse; sem problemas, adoro conhecer seus amigos, e é verdade ela adora mesmo, acho que ela gosta de saber o tipo de pessoas com quem me envolvo fato! Só não contava com a possibilidade de ela encontrar na minha bolsa (por causa dela ser curiosa) um cartão de natal cheio de coraçõezinhos e declarações amorosas cujo o nome do remetente era o nome do “suposto amigo”.
Peguei ela no flagra lendo cartão, estava no início ainda, mas era o suficiente , saquei o cartão da mão dela e a primeira coisa que ela falou foi; me explica o que significa isso? Eu não pensei duas vezes e disse é exatamente o que a senhora ta pensando. Tive medo de minha mãe passar mal acho que eu iria passar antes dela. Muito choro depois disso, passamos 2 dias sem se entender direito e sem comentar sobre o assunto com ninguém da família, só uma irmã minha que comentei, eu ganhei minha mãe de volta, quando no alto de uma discursão eu falei pra ela: “ Mãe eu não sei se a senhora acha que me tornei um monstro por causa disso, só posso dizer a senhora uma coisa, esse monstro aqui tá assustado morrendo de medo de nunca mais ter seu perdão e tá com mais medo do que quando era um bebé e pulava na sua cama pedindo colo com medo do escuro, não pedi pra ser assim, jamais eu iria escolher ser uma coisa que iria magoar a pessoa que mais amo nessa vida, a única coisa que preciso agora é de colo, e se você não poder me oferecer isso ficarei muito decepcionado , mas entenderei que não é fácil pra senhora, não ta sendo pra mim acredite, porém o fato da senhora não aceitar não vai me mudar, ou mudar meu destino que já está escrito, e...”
Nessa hora eu tive a certeza de que minha mãe jamais me abandonaria, ela bruscamente me abraçou e muito forte e não me deixou falar mais nada, eu só dizia dentro de mim obrigado meu Deus, pois eu não estava aguentando mais me torturar, choramos ali por mais uns 3 ou 4 minutos abraçados, fui para o quarto que era meu na época que ainda morava em casa, e chorei por mais 2 horas, mas dessa vez de felicidade e alivio. E um dia depois 1º de janeiro de 2010 a pessoa com quem eu namorava na época dormiu na minha casa, almoçou na mesa com meus pais, e foi tratado como um amigo, mas um amigo muito querido da família.
PS: Detalhe meus pais são evangélicos a 28 anos, quase 2 anos depois ainda não tive coragem de falar sobre o assunto com meu pai, mas já sinto a necessidade disso, sinto que ele percebe, mas prefere se omitir, pra evitar o constrangimento de falar sobre o assunto.
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